#TBT Piauí

Esses dias descobri que existe uma hashtag que é #TBT, de “Throwback Thursday“, algo como voltar/retroceder a quinta-feira. O pessoal tem usado pra postar fotos antigas, então pensei: por que não fazer um post sobre viagem antiga?

Olhar fotos antigas te faz sentir bonito! Essa tal
Olhar fotos antigas te faz sentir bonito! Essa tal “quinta-feira passada” é de apenas 13 anos atrás.

Então o primeiro post #TBT será sobre o Piauí, mais especificamente no Parque das Sete Cidades e na mistura de dois biomas super importantes e frágeis: a Caatinga e o Cerrado.

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Animais do parque: veado-mateiro (Wikimedia), Iguana (G1), Mocó (Globo.com), Corrupião (Clube do criador)

E nessa mistura tem espaço para outro subtipo de mata, a Mata de Galeria, que fica em volta dos rios  no Cerrado e serve como uma conexão entre a Floresta Amazônica e a Mata Atlântica. Proporcionalmente, as matas de galeria (que tem muitas no Parque) são a maior biodiversidade do Cerrado, daí terem sido escolidas como áreas prioritárias para a conservação pelo Ministério do Meio Ambiente.

Mata de Galeria. Fonte: ICMBio
Mata de Galeria. Fonte: ICMBio

O primeiro europeu que foi lá (Ludwig Schwennhagen, historiador austríaco) jurou que o lugar era uma cidade Fenícia. O segundo falou que não, que isso era muita loucura, porque na verdade é uma cidade Extraterrestre (Erich von Däniken, jornalista suíço que escreveu “Eram os deuses astronautas?”).

Depois deles a galera foi discordando e entrando mais nos eixos, e assim começaram a ver nos sete agrupamentos de rochas (as sete cidades) o busto de Dom Pedro, um camelo, um elefante, uma cabeça de índio. Então se joga na doideira porque o lugar é um verdadeiro parque de diversões para geólogos/oceanógrafos/geógrafos/entusiastas da natureza em geral. E pra completar, a cereja do bolo é o conjunto impressionante de pinturas rupestres, datadas em 6000 anos de idade.

A rocha que as pessoas insistem em chamar de Pedra do Cachorro.. Até hoje não vi esse cachorro...
A rocha que as pessoas insistem em chamar de Pedra do Cachorro.. Até hoje não vi esse cachorro…Fonte: UOL

A formação rochosa é do Devoniano, entre 416 e 359 milhões de anos atrás, então vou contar uma pequena história, de quando o nível do mar era mais alto que o atual e toda a região era um delta – um tipo de encontro de rio com mar. Aliás, perto dali ainda é um delta, o Delta do Parnaíba, o terceiro maior do mundo.

E a paisagem era ainda mais bonita: no Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Piauí as montanhas eram todas cobertas de gelo. Sim, não só o inverno no Leblon já foi quase glacial, mas do nordeste também. Quando o nível do mar abaixou, ficou exposto tudo o que foi depositado ali, e o sedimento (o material que o rio carregou, que era areia e lama, principalmente) glacial ficou exposto à erosão!

Nesse parque especificamente, três tipos de erosão são bem fortes: a biológica – todas as rochas são cobertas por líquens; química – uma região que chove pouco, e quando chove a água vai corroendo as rochas e mecânica – frio à noite e muito calor de dia. E, claro, a erosão eólica, já que o vento esculpiu a grande parte das rochas ali.

E aí entra o conceito de erosão diferencial: como o tipo de sedimento que compõe as rochas ali é diferente (areia e lama são muito diferentes!) elas recebem de maneira diferente os impactos dos agentes – vento, água e líquens, e assim as rochas são esculpidas de maneira tão diversa. Onde é mais fraco é erodido mais fácil, e onde é mais forte dura por mais tempo.

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AS SETE CIDADES:

Apesar de serem sete, não estão longe umas das outras, é fácil caminhar entre cada uma delas. Para os que estão com menos tempo ou não querem caminhar ou estão morrendo de calor, o aluguel da bike é R$10,00, mas pode fazer de carro também.

Mostrando só as principais de cada cidade (são muitas pedras!)

Primeira Cidade

Já começa com a Piscina dos Milagres, em uma das 22 nascentes do parque, o melhor lugar para tomar banho. A Pedra dos Canhões é o principal e parecem defender a cidade. Tem também a Pedra da Jia, o Salão do Pajé, a Pedra da Cobra, o Banco da Praçae mais algumas menores.

“Canhões” que guardam a cidade. Fonte: TripAdvisor

Segunda Cidade 

Essa é a cidade do duplo sentido, já que o Arco do Triunfo e a Pedra do Falo contribuem pra isso. A Vista Panorâmica, de 82 metros de altura é o ponto mais alto do Parque, e fica pertinho da Biblioteca, que impressiona o quanto as rochas realmente parecem livros um ao lado do outro. Mentira, parece uma cobra mesmo.

A biblioteca que pra mim parece uma cobra
Vista panorâmica
O Arco do Triunfo
O Arco do Triunfo. Fonte: UOL
A biblioteca que pra mim parece uma cobra
A biblioteca que parece uma cobra

Terceira Cidade

A mais famosa atração ali é a Cabeça de Dom Pedro I , mas é cheia de outros monumentos.

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O busto de Dom Pedro. Não sei por que não colocaram nessa o nome de Pedra do Falo…

Aqui também estão a Pedra do Beijo, o Dedo de Deus, Pedra do Pombo, Pedra do Gorila…

Quarta Cidade: mapa do Brasil

Mapa do Brasil é o mais legal. Sempre o guia fala o que parece as pessoas falam um “ah, é verdade!”

Mapa do Brasil
Mapa do Brasil. Fonte: UOL

Quinta Cidade

A Furna do Índio e Pedra das Inscrições são ponto alto do parque, já que é onde estão as inscrições rupestres.

Fonte: Fumdham
Fonte: Fumdham, clique para mais fotos e informações

A interpretação de um dos desenhos é “o índio segue o caminho, persegue o animal, mata-o e oferece-o ao deus-sol”. O  Piauí é referência na Arqueologia do Brasil. Foi na Pedra Furada (Parque Nacional da Serra da Capivara, mais ao sul no Piauí) que começaram a propor outra teoria de ocupação da América, vindo direto da África e não pelo Estreito de Bering, como falavam. Nesse mesmo parque está o maior número de pinturas rupestres do mundo.

Sexta Cidade

Começa com a Pedra do Elefante

Pedra do Camelo com elefantíase
Pedra do Elefante

E vai até a Pedra da Tartaruga

A pedra da tartaruga
A pedra da tartaruga

Sétima Cidade

A sétima cidade tem acesso proibido, já que é uma reserva ecológica para preservação da fauna, da flora e dos monumentos com inscrições pré-históricas para estudos.


Agora as demais informações.

O clima/quando ir

Calor. Muito. Eu pensava que Cachoeiro do Itapemirim era quente até conhecer o Piauí. A temperatura média é de 26,8°C. O período mais seco concentra-se entre os meses de agosto a novembro, quando fica mais quente. Recomendo ir no outro período, mais úmido, que é quando a cachoeira fica mais bonita.

Como chegar

A maneira mais fácil de se chegar no parque é ir de avião até Teresina ou Fortaleza e depois pegar o carro. A distância de Teresina é de 190 km e de Fortaleza, 422 km. A sinalização é boa e o pavimento pelo que li não está nada mal.

Li relato de um cara que foi de ônibus de Parnaíba até Piracuruca (o município mais perto) e de lá tomou um mototaxi pra levá-lo até o parque (18 Km). Sei que de Teresina também dá pra fazer o mesmo rolê.

Onde ficar

Dentro da Unidade de Conservação tem um Abrigo-Hotel com poucos apartamentos com ar e TV que não é tão caro. Em Piripiri tem mais opções mais em conta, dá uma olhada no site deles.

Valores

Os ingressos custam R$ 15,00, mas brasileiro paga metade. É obrigatório ir com guia, e o parque funciona diariamente das 8h00 às 17h00.

Dicas extras

Aqui tem um vídeo bem legal sobre o parque, e aqui sobre os achados arqueológicos no Piauí.

Como eu havia falado no post sobre os cânions, existe o projeto de sítios geológicos do Brasil. E o Parque Nacional das Sete Cidades (e aqui) também faz parte.

Mais informações no site do governo do Piauí.

E boa viagem!

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