Bonitinho, mas ordinário…

O personagem principal de hoje é o peixe-leão, um peixe que aqui no Brasil é um exemplo perfeito de espécie exótica. Mas não no sentido de “diferente”, é no sentido mais parecido com “estrangeiro”, uma espécie que anda por aí, viajando o mundo todo, mas não era pra ter saído de onde veio! A parte entre as linhas é uma adaptação do blog das companheiras de trabalho Bate-papo com Netuno.

“Minha beleza é exótica”

Mas por que uma espécie exótica é tão problemática?

Sabe rato de rua? Os pombos? As jaqueiras da Floresta da Tijuca? Os pardais? As abelhas africanas? O mosquito da dengue? O caramujo africano vendido como escargot mas que passa doença? São todas espécies exóticas.

Tomando o exemplo das abelhas:  imagine uma abelha. A chance de você ter imaginado aquela abelha amarela com traços pretos é alta, mas essa abelha não é brasileira, e na verdade, ela tem acabado com as nativas. Essa abelha, a africana, foi introduzida em Rio Claro – SP em 1956 com fins de pesquisa, porque produziam mais mel, mas algumas fugiram do cativeiro e se reproduziram descontroladamente. Como são espécies que evoluíram no continente africano, não tem muitos predadores aqui no Brasil, e competem com poucos outros animais por espaço e comida…e com esses poucos outros que competem, elas ganham.

Abelha africana

As abelhas genuinamente brasileiras, evoluíram aqui, então seus predadores também já estavam aqui. E o que acontece é que o predador nem sempre vai predar a espécie invasora, que assim consegue se alimentar sem ser devorada e se reproduzir mais facilmente.

No caso da abelha africana, além de tomar o espaço das abelhas brasileiras que estão sumindo, ainda fazem mal aos humanos: enquanto as brasileiras não tem ferrão (em sua grande maioria), as abelhas africanas podem chegar a matar! Macaulay Culkin que o diga…

Abelhas brasileiras
Abelhas brasileiras “com muito orgulho, com muito amor”: Jataí, Mandaçaia e Mirim

A invasão de espécies exóticas é um dos maiores problemas ambientais do século. Já foram reconhecidas em todos os grandes grupos taxonômicos (vírus, fungos, animais, plantas, bactérias, algas…), e trazem prejuízos enormes à biodiversidade e aos ecossistemas naturais, além dos riscos à saúde humana e à economia. Só perdem para a degradação de hábitats no ranking de maiores perdas de biodiversidade, contribuindo com 39% das extinções de animais conhecidas!

Elas acontecem através de criadouros que deixam espécies escapar; de pessoas que se “enjoam” dos seus animais e soltam em qualquer lugar; da água de lastro; de empresas que criam peixes ornamentais, e por aí vai…


E agora vamos ao post do blog (por Corey Eddy e Jana del Favero no Bate-papo com Netuno):

Dois peixes-leão já foram avistados no Brasil, ambos na região de Arraial do Cabo (RJ), o primeiro em 2014 e o segundo agora recente, em março de 2015. Mas, se só foram dois exemplares, por que se preocupar?

O famoso peixe-leão
O famoso peixe-leão

Antes de continuar a leitura assistam o curto vídeo do programa Fantástico da rede Globo, que fala sobre os problemas ambientais causados por essa espécie, de origem do Indo-Pacífico, e o quanto se alastrou no Caribe.

Os especialistas brasileiros ainda estão debatendo como esses Peixes-leão foram parar em águas brasileiras e se há mais indivíduos em águas mais profundas, que não seriam observados por mergulhadores (mais detalhes aqui).

A Jana foi conversar com um amigo que estuda a população invasora de Peixe-leão em Bermudas, para saber o que está sendo feito por lá e que medidas poderiam ser adotadas no Brasil. Ele informou que desde a descoberta do Peixe-leão na Flórida (EUA) em 1985, sua população expandiu rapidamente da Venezuela até Rhode Island (EUA). Pesquisadores acreditam que sua expansão pode eventualmente atingir até o Uruguai, porque no Brasil já atingiu!

Em seu ambiente de origem, o Indo-Pacífico, os Peixes-leão são reconhecidos e evitados pelas suas presas e comem de tudo o que tiver disponível. Fora de lá, entretanto, são capazes de selecionar e consumir grandes quantidade de invertebrados, peixes juvenis e peixes adultos pequenos, muitos dos quais desempenham importantes papéis ecológicos e econômicos. Para se ter um ideia, os Peixes-leão podem reduzir as populações de peixes juvenis de um recife em quase 80% em menos de cinco semanas!

Ilustração_Post peixe-leão_com correções
Esquema representativo da distribuição do peixe-leão ao redor do mundo (Naira Silva)

Além disso, amparado pela ausência de um predador verdadeiro, populações de Peixe-leão no Atlântico têm atingido densidades bem maiores do que no Pacífico, afetando a estrutura da comunidade, a biodiversidade e a saúde de recifes de coral.

A boa notícia é que são peixes deliciosos, e demora somente 1 minuto para remover os perigosos espinhos, tornando-os perfeitamente seguros para manusear. Se houver pesca de Peixe-leão, nós poderemos salvar o oceano. “We have to eat them to beat them” (Nós temos que comê-los para vencê-los).

Jorge 5v2
Foto por: Jorge Sanchez

Uma das boas iniciativas no combate à proliferação do peixe-leão é o “Lionfish Task Force Bermuda” e o Departamento de Proteção Ambiental local no desenvolvimento de um plano para a remoção a longo prazo desta espécie de águas locais. Controlar e reduzir o crescimento contínuo da população de Peixe-leão é uma parte crucial de qualquer esforço para minimizar os impactos negativos sobre as espécies de peixes nativas e os ecossistemas de recifes de coral, e evitar impactos secundários sobre a pesca e o turismo.

Outras duas fundações são a Ocean Support Foundation e a Bermuda Lionfish Culling Program (programa de abate do Peixe-leão). Esse programa permite que qualquer residente das Bermudas, com mais de 16 anos de idade, possa receber a formação adequada e uma autorização especial para caçar Peixe-leão. Até o momento, temos certificadas mais de 500 caçadores, os quais são uma grande ajuda na remoção do Peixe-leão e na manutenção dos recifes.

Como o Brasil foi invadido só recentemente, o momento inicial é perfeito para mobilizar mergulhadores, pescadores e ambientalistas para entrar na água e começar a caçada. Cada Peixe-leão que é removido ajuda muito para preservar e proteger o ambiente marinho do Brasil, especialmente quando ainda são poucos os Peixes-leão observados nas redondezas.



Então voltando ao post daqui, o que eu posso fazer? Eu não moro nas Bermudas…

Bom, se você estiver nadando/mergulhando e vir um peixe-leão, não toque, mas se estiver equipado para caça submarina, pode levar para comer! Conscientizar os pescadores ou outras pessoas disso também é uma ótima forma de ajudar.

Seguir as regras da aviação, navegação marítima e rodoviária é muito importante! Realmente, não transporte plantas, animais, sementes, bulbos e comidas que podem trazer fungos quando fizer uma viagem internacional.

Evite o cultivo de espécies exóticas, prefira espécies nativas, elas são tão bonitas! E você ainda ajuda na preservação ambiental.

Não solte animais em rios e lagos. Se quiser se “livrar” de algum deles, mate. A ideia pode parecer macabra, mas antes matar um indivíduo do que ajudar na extinção de uma espécie!

Para quem quiser saber mais:

O Ministério do Meio Ambiente fez um guia muito interessante sobre espécies invasoras;

O Instituto Hórus trabalha diretamente com esse tema e vai oferecer um curso em agosto agora.

E só pra ratificar, o blog das amigas de onde tirei esse texto é esse aqui, tem outras publicações muito legais!

E boa viagem para todos (menos para os invasores)!

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