(Viagem Relâmpago) – Foz do Iguaçu e Missiones

Já começo o post dizendo que não gosto de viagem relâmpago. Em um final de semana, ou em 3-4 dias fica impossível conhecer de verdade uma cidade, as pessoas, a cultura, as comidas, os detalhes…mas fazer o que, se é essa a alternativa que resta para quem trabalha 5 dias por semana?

Em uma viagem dessas, dormir é desperdício. Aliás, pra que cama quando se tem transporte noturno? O objetivo é conhecer mais lugares em menos tempo, tipo uma corrida contra o tempo, mas claro, lembrando que sentar em uma praça e ficar olhando para as pessoas também é conhecer o lugar!

Juntei então a pressão de ser brasileiro e não conhecer as Cataratas do Iguaçu com a vontade de comer empanadas conhecer as missões jesuíticas da tríplice fronteira e fui me jogar por 4 dias no oeste do Paraná.

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As Cataratas do Iguaçu estão inseridas na Mata Atlântica que já falei bastante por aqui. Junto com as cidades de Ciudad del Este (Paraguai) e Puerto Iguasu (Argentina) forma a tríplice fronteira dos países. É conhecida no mundo inteiro como uma das maiores quedas de água, com a natureza exuberante, e muita, mas MUITA água rolando.

O Parque é Patrimônio Mundial da Humanidade, e junto com a parte Argentina é uma das maiores áreas preservadas de floresta subtropical, onde até hoje é possível encontrar onças, pumas, jacarés, gaviões…e muito, mas muito quati.

Isso é um quati...comendo lixo
Isso é um quati…comendo lixo

O Parque é tão importante que ficou óbvio até no começo do século para um brasileiro ilustre que ele deveria ser preservado. Ao todo são 275 quedas de água!

Frederico Engel? Petralha!
Frederico Engel? Petralha!

As Missões jesuíticas falei um pouco aqui também, quando falei do México. É no Rio Grande do Sul que encontramos a versão brasileira delas, mas foi em Misiones (Argentina) que conheci a primeira. A história é bem louca, e a primeira vez que ouvi falar dela foi quando assisti o filme “A missão” e fiquei louco com a trilha sonora do filme, de Ennio Morricone (https://www.youtube.com/watch?v=yJxduMo7GOM – o mesmo que fez Malena, Cine Paradiso, Era uma vez no Oeste…mas vamos lá, foco!) e disse: um dia vou conhecer esse lugar.


Como foi uma viagem relâmpago, não consigo dar muitas dicas de onde ficar, comer, passear, então me limito a fazer um diário para indicar os lugares que fui.

Cheguei no primeiro dia de manhã vindo de Florianópolis, o que deu 14 horas de viagem de ônibus e 1000 km de estrada. Mas há uma alternativa: em Foz tem um aeroporto, e dizem que as passagens não são tão caras quanto parece.

Já havia feito contato pelo CouchSurfing com algumas pessoas em Iguasu (Paraguai) e em Foz, mas não tive muitas respostas positivas, só do José Luiz, que disse que poderia me acompanhar. E de fato foi uma mão na roda, além dele ser muito receptivo! Chegando lá pela manhã já fomos conversando sobre o que poderia fazer, então a primeira parada foi o parque.

E no Parque Nacional de Iguaçu, a primeira surpresa: para brasileiros a entrada custava R$32,00 (sem direito à meia entrada), porque o gerenciamento é feito sob regime de concessão do ICMBio para uma empresa. Um parque nacional, Patrimônio da Humanidade, tão importante geologicamente e como ecossistema não poderia custar esse preço, já que sua manutenção também é paga através de impostos. Mas beleza, continuei.

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A surpresa, entretanto, ficou pior ainda: o único caminho permitido pelo parque é entrar no ônibus que te leva até a entrada e depois andar por umas palafitas de madeira, totalmente determinado. Andar em caminho determinado, ok, ajuda na preservação do ecossistema, mas o problema é que quem quiser fazer algo fora disso deve contratar os pacotes do Macuco Safari, que custa o absurdo de R$80,00 por duas horas de caminhada. Não estou falando dos passeios de barco, helicóptero, bicicleta, rapel, isso ser cobrado faz sentido…mas só para dar uma caminhadinha cobrar R$80?

Fiquei pensando nas famílias que moram em Foz e nunca conheceram um parque que fica no quintal da casa deles por falta de dinheiro…e nunca conheceram a Mata Atlântica, porque em volta do parque é só plantação!

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Cataratas
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Mais cataratas…

Enfim, continuando o passeio, a trilha já começa com vistas muito bonitas, que variam bastante dependendo se é período de chuva ou de seca no rio Paraná.

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Iguaçu em guarani significa água grande, dá para imaginar o porquê! O caminho minúsculo termina na Garganta do Diabo:

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As Cataratas foram formada hás 150 milhões de anos, e a estrutura geológica é bem parecida com a que expliquei no Parque de Aparados da Serra. Clique para ampliar o mapa do Parque:

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Vista aérea da Garganta do Diabo

Dicas para conhecer o Parque:

  • Leve capa de chuva, você vai se molhar com certeza;
  • Leve capa de proteção para sua câmera, ela vai se molhar com certeza;
  • Não fique muito tempo parado se você não quiser levar um susto de um quati como eu levei
  • Se não quiser ficar molhado no resto do dia, leve uma toalha.
  • Foz no verão é muito quente. E no inverno, muito frio.
  • Se quiser fazer os passeios de barco, helicóptero, rapel, caminhada, bicicleta, leve bastante dinheiro. Só o helicóptero é R$285 por 10 minutos, o rapel R$85 e o passeio de bike – pasme – R$140,00.
  • Para chegar no Parque, você pode ir de ônibus, que é rapidinho e custa algo em torno de R$2,85. Os ônibus saem tanto do aeroporto quanto da rodoviária ou do centro da cidade  e te deixa na porta do parque. A alternativa é pegar um transfer e pagar R$49,00 pela Loumar Turismo, e outra é alugar carro (achei neste blog umas dicas legais)

Saindo do Parque, só atravessando a rua, fui conhecer o Parque das Aves. Odeio a ideia de visitar um zoológico – me parece muito sádico o sofrimento dos animais – mas ali fui visitar por ser um local de recuperação dos animais resgatados, não de exibição. E fiquei muito impressionado com as aves que vi ali!

Da série posições confortáveis para dormir
Da série posições confortáveis para dormir
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Tucano…acho esse bicho muito bonito!

O Parque das Aves funciona das 8:30 às 17:00 e custa R$24,00 para brasileiros, com direito à meia.

Saindo do parque, fui almoçar. E aí a viagem começou a ficar melhor! Foz do Iguaçu é uma das maiores colônias árabes do Brasil, e onde tem comida árabe eu sou mais feliz. A presença deles na cidade é tão forte que a maior Mesquita Islâmica do Brasil foi construída lá.

Mesquita Islâmica Omar Ibn Al-Khatab
Mesquita Islâmica Omar Ibn Al-Khatab

Depois do almoço fui conhecer a Usina Itaipu Binacional…fique impressionado com o que o homem é capaz de fazer!

São três os passeios possíveis (das 8h às 16 horas diariamente – mais informações no site):

  • Visita panorâmica (R$ 26,00) que é para ver a barragem por cima, de ônibus a 196m de altura e dura 1h 30min
  • Circuito especial (R$ 64,00), que inclui a visita panorâmica com a visita dentro da barragem e dura 2h 30min. Nos dois passeios é muito legal a explicação dos guias, que entendem bastante do processo de geração de energia.
  • Visita noturna (R$ 15,00), às sextas e sábados, que dizem ser bem bonito ver as luzes da barragem.

Escolhi o circuito especial e a cada lugar novo que íamos eu me impressionava mais, me sentia uma formiga perto de um gigante. E eu que sempre gostei mais de natureza, me impressionei mais com a Usina do que com as cataratas.

Usina de Itaipu vista da primeira parada
Usina de Itaipu vista da primeira parada
Dá uma olhada no tamanho do ônibus
Dá uma olhada no tamanho do ônibus para comparar…
Lago de Itaipu
Lago de Itaipu
Prédio de controle. Dentro dele tem uma linha amarela que divide o Brasil do Paraguai
Prédio de controle. Dentro dele tem uma linha amarela que divide o Brasil do Paraguai

A usina foi construída em parceria do Brasil com o Paraguai, e tudo é dividido meio a meio: o número de funcionários, os cargos de chefia, o dinheiro…mas como o Brasil é bem maior, acaba comprando a energia do Paraguai.

O centro de visitantes fica a 12 km do centro de Foz do Iguaçu e também é muito fácil de chegar de ônibus. Para quem vai de carro, o estacionamento custa R$12,00. Alguns dados muito loucos sobre Itaipu:

  • A estrutura é tao grande que uma das galerias tem 1 quilômetro de extensão!
  • Cada um dos 20 geradores de energia consegue abastecer uma cidade de 2,5 milhões de habitantes.
  • Começou a ser construída em 1975 e só terminou em 1982 – bem na ditadura, então tinha muito de mostrar para o mundo o “desenvolvimento nacional”;
  • Itaipu continua sendo a maior usina do mundo em geração de energia hidrelétrica. Na China tem a Usina das Três Gargantas, cuja capacidade de geração é maior, porém o rio ainda não atingiu a vazão suficiente para isso tudo, e em Itaipu sim;
  • O ferro e o aço utilizados permitiriam a construção de 380 Torres Eiffel;
  • A construção da Usina envolveu o trabalho direto de 40 mil pessoas.

Saí da Usina já bem tarde, e o José Luiz me ligou porque estava com outro amigo boliviano e queriam ir jantar em Puerto Iguasu…as pastas argentinas também me trazem muita felicidade! Jantamos lá e por lá fiquei, já que o ônibus para San Ignacio sairia à meia noite (preço: R$30,00 – na cidade ainda aceitam reais).

Entrei no ônibus e pedi para o motorista me deixar em San Ignacio, mas o gente boa esqueceu. Por sorte, algum sinal divino me fez acordar às 5 da manhã e eu vi a figura de uma ruína que parecia com a imagem que eu tinha feito na minha cabeça. Perguntei para o motorista e era lá mesmo! Fiquei dormindo um pouco na rodoviária, tomei meu feliz café da manhã argentino até que fui caminhando para as ruínas. Não é tão perto assim, então pode ser legal pegar um táxi, carona não consegui.

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Entrada das ruínas de San Miguel Ignacio

As ruínas de San Ignacio são lindas! Não é à toa que fazem parte do Patrimônio Cultural da Humanidade da UNESCO. A de San Ignacio é a mais preservada da Argentina, foi inaugurada em 1733 e chegou a contar com 4000 habitantes. Encurtando a história: os padres da Companhia de Jesus (os jesuítas), reuniam os índios Guaranis em reduções com um estilo bem autônomo: lá os índios plantavam, viviam, ficavam protegidos de ataques de bandeirantes, aprendiam música, dança, teatro e matemática; a “prefeitura” da missão era comandada pelo cacique, e o colégio, por dois padres. Enquanto isso os jesuítas aprendiam a língua Guarani que fosse para catequizar de uma forma mais inteligente, quer fosse para se misturarem?

A região fazia parte das províncias do Paraguai e Rio da Prata, governada pela Espanha. Como as reduções eram um experimento muito autônomo e inteligente para o absolutismo monárquico espanhol, os jesuítas são expulsos em 1767 pela coroa espanhola. Nos anos seguintes, toda a barbárie seguiu correndo, com os índios sendo sequestrados e escravizados por bandeirantes paulistas.

Conhecer as reduções é conhecer também a história do Brasil!

Reduções jesuíticas do sul do Brasil/Argentina e Paraguai
Reduções jesuíticas do sul do Brasil/Argentina e Paraguai
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Tô farto
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Símbolos da Companhia de Jesus
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Símbolos da Companhia de Jesus
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A casa dos padres
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Na mesma noite voltei para Foz do Iguaçu e fiquei no albergue recomendado pelo José Luiz, o Tetris. Cara, top 5 dos melhores albergues que já fiquei. Além da arquitetura super legal (é todo feito com contâiners), os funcionários super legais e sempre com festas legais pelo que ouvi dizer. Recomendo!

E foi essa a viagem relâmpago! Boa rápida viagem!

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