Radiação de Fukushima encontrada na costa da Califórnia

Os oceanos estão em constante movimento. Próximo à costa, correntes de maré, correntes causadas por quebras de ondas, incluindo as de retorno (que os surfistas usam para passar a arrebentação) e longitudinais às praias são responsáveis pelo movimento de massa d’água em uma escala de 0 a 10 km.

Mais afastadas, em uma escala de milhares de quilômetros, as correntes causam movimento horizontalmente (como a Corrente Equatorial, que vem da África e se divide formado a do Golfo e a Corrente do Brasil ou a corrente de Kuroshio que sai do Japão levando massas d’água à Califórnia) e verticalmente, formando as conhecidas ressurgências, onde as águas do fundo sobem à superfície, como em Cabo Frio, no Peru e no Cabo de Santa Marta. Os oceanos são interligados, de maneira que danos ambientais que aparentam locais sejam, no fim, globais.

Nesta semana, foi encontrado material radioativo de Fukushima (Japão) na Califórnia (EUA), ambas no Oceano Pacífico (http://www.iflscience.com/…/harmless-levels-fukushima-radia…). Segundo o Woods Hole – um dos maiores centros de Oceanografia do mundo – o material radioativo em forma de Césio 137 já era encontrado no local, devido aos testes nucleares feitos no Oceano na época da Segunda Guerra. A novidade é que desta vez encontraram também Césio 134, indicativo da radiação de Fukushima (radiação recente). Os níveis encontrados são, de fato, bem abaixo do limite estabelecido, mas infelizmente devemos considerar outras coisas.

Primeiramente, um efeito chamado Bioacumulação: o Césio liberado, por exemplo, tem forte ligação com partículas orgânicas. O fitoplâncton (algas que produzem a maior parte do oxigênio liberado na atmosfera) é a primeira vítima. É seguido pelo seu predador, o zooplâncton, que serão comidos por peixes pequenos, que serão comidos por peixes maiores, que vão parar na nossa mesa – ou diretamente, ou através da carne bovina e suína que utilizam sua proteína. Agora imagine toda uma comunidade (vamos dizer, um bilhão) de fitoplâncton contaminado, que viva próximo ao local do “acidente” nuclear. UM peixe pequeno se alimenta de um bilhão deles em uma semana, e acumula a contaminação de TODOS (um bilhão). Um peixe médio vai comer em uma semana 10 peixes pequenos, que se alimentaram de 10 bilhões de fito contaminado, e assim por diante, até chegar aos seres humanos. Considerando que existem muitos animais marinhos altamente migratórios, a consequência de um acidente lá no Japão chegar aqui no Brasil não é algo impossível, da mesma forma que foi registrado no Brasil efeito do tsunami que ocorreu na Sumatra em 2005.

Em segundo lugar, Fukushima não foi a única fonte de material radioativo para os oceanos. Desde Chernobyl até Fukushima incidentes e testes nucleares como Goiânia, Hiroshima, Nagazaki, Mururoa (da música da Simone, que daqui a poucos dias vamos ouvir de novo) e a disposição ilegal no fundo dos Oceanos ou em lugares mal estruturados causou mortes, mas mais do que mortes instantâneas, um legado de Câncer durante décadas para a população.

Em terceiro lugar, o Césio é apenas um dos 1000 radionuclídeos que foram jogados no Oceano nesse acidente. Água vindo do lençol freático contaminado no local é jogada no Oceano a uma taxa de 300 a 400 toneladas/dia até hoje.

Também nesta semana o G20 (as 20 maiores potências do mundo) anunciou a intenção de fazer o PIB mundial crescer 2 trilhões até 2018. Isso demanda recursos naturais. E isso demanda energia. Qual forma de energia vão utilizar? A eólica, solar e de maré não são suficientes. As hidroelétricas causam impacto social imenso e ambiental no local. As termelétricas causam isso e tem impacto global pela emissão de CO2 com pouca produtividade. A nuclear tem a melhor produtividade, mais um único acidente pode ser fatal para o mundo inteiro, ainda que seus efeitos não sejam sentidos em um futuro próximo.

E para onde vão os 2 trilhões? Uma das resoluções da cúpula que nossa Presidenta participou é que os 30 bancos mais importantes deverão ter capital suficiente para contornar uma crise. Ou seja, nos enganam com um crescimento de PIB, nos convencem de que isso é o mais importante, e no fim esquecem da qualidade de vida e preservação ambiental, que são intimamente ligados. Sabe aquela cachoeira que você amava quando era criança? Vai virar uma Pequena Central Hidrelétrica. Sabe aquelas dunas onde você caminhava? Viraram um parque Eólico. Sabe aquela lagoa linda que você nadava? Vai ter a entrada impedida porque sua água será usada para resfriar a Central Energética. E sabe a Mata Atlântica? Hoje só tem 7% do original, e muito das suas árvores foram/são usadas para as centrais termelétricas.

Tá na hora de parar de trocar seu Iphone/Itouch/Ipad/Ipod/Iglass/Irelógio todos os anos. E o mesmo com seu carro, com suas roupas de marca que usam trabalho escravo. Tá na hora de pensar no que realmente é importante ser comprado, de rever seus conceitos, de mudar velhos hábitos, de deixar de ir no rodízio 3 vezes por semana. Tá na hora de pensar onde vai construir sua casa, de respeitar as leis ambientais e cobrar que elas sejam mais rigorosas. De participar na organização de moradores para proibir junto com sua comunidade que construam portos a cada 10 km no seu litoral com a desculpa de que vai melhorar sua qualidade de vida (uma ova!).

O mundo anda mal das pernas, e você é culpado por isso também. A politização é também uma maneira de proteção do meio ambiente, e isso é DEVER de todos nós.

ocean_circulation

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